Petroleiros atravessam o Estreito de Ormuz apesar do bloqueio americano, mostram dados

Presidente Donald Trump anuncia bloqueio militar total no Estreito de Ormuz Um petroleiro chinês sancionado pelos Estados Unidos passou pelo Estreito de Ormuz ...

Petroleiros atravessam o Estreito de Ormuz apesar do bloqueio americano, mostram dados
Petroleiros atravessam o Estreito de Ormuz apesar do bloqueio americano, mostram dados (Foto: Reprodução)

Presidente Donald Trump anuncia bloqueio militar total no Estreito de Ormuz Um petroleiro chinês sancionado pelos Estados Unidos passou pelo Estreito de Ormuz nesta terça-feira (14) apesar do bloqueio americano no canal, apontam dados de navegação. Segundo dados da LSEG, MarineTraffic e Kpler, o navio-tanque Rich Starry foi o primeiro navio a atravessar o estreito e a sair do Golfo desde o início do bloqueio. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias da guerra no Oriente Médio O navio-tanque e a proprietária, Shanghai Xuanrun Shipping Co Ltd, foram alvo de sanções dos Estados Unidos por negociarem com o Irã. A Reuters não conseguiu contato imediato com a empresa até a publicação desta matéria. Segundo os dados, o Rich Starry é um navio-tanque de médio porte que transporta cerca de 250 mil barris de metanol. A carga foi carregada em seu último porto de escala, Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos. Os dados também mostraram que o petroleiro de propriedade chinesa tem tripulação chinesa a bordo. Outro petroleiro sancionado pelos EUA, o Murlikishan, também entrou no estreito na terça-feira, segundo dados da LSEG. O petroleiro vazio, do tipo handysize, deve carregar óleo combustível no Iraque na quinta (16 de abril), de acordo com dados da Kpler. A embarcação, anteriormente conhecida como MKA, já transportou petróleo russo e iraniano. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A crise no Estreito de Ormuz Desde o início da guerra no Irã, uma das principais consequências foi o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde então, Donald Trump tem atuado incessantemente para reabrir a passagem e aliviar a pressão sobre a economia global. Agora, no entanto, é o próprio presidente norte-americano quem bloqueia o fluxo na região — mas por quê? O estreito nunca esteve completamente fechado. Os iranianos permitem a passagem de alguns petroleiros de parceiros estratégicos, porém, mediante o pagamento de um 'pedágio' que pode chegar a até US$ 2 milhões por navio. Além disso, as próprias embarcações iranianas também tinham livre passagem, mantendo em funcionamento a principal fonte de receita do país. Segundo a empresa de dados e análise Kpler, o Irã exportou, em média, 1,85 milhão de barris de petróleo por dia. Nesta segunda-feira (13), porém, Trump também passou a obstruir a rota. "Eu também instrui à nossa Marinha a procurar e abordar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em águas abertas", disse o republicano em postagem na rede social Truth Social. A estratégia do presidente norte-americano é semelhante à adotada em janeiro deste ano na Venezuela: o estrangulamento financeiro. Ao fechar a via para embarcações, Donald Trump corta uma importante fonte de receita do governo iraniano, já que o petróleo representa cerca de 10% a 15% do PIB do país. Trump disse à emissora Fox News que "não vamos deixar o Irã lucrar vendendo petróleo para quem eles gostam e não para quem eles não gostam", afirmando que o objetivo do bloqueio naval americano era permitir a passagem de "tudo ou nada" pelo estreito de Ormuz. Analistas sugerem que as declarações de Trump e o bloqueio naval visam pressionar o Irã a fechar um acordo de paz nos termos americanos, algo que não ocorreu nos últimos dias. No programa "Face the Nation" ("Encarando a Nação", em tradução livre), da emissora americana CBS, o congressista republicano Mike Turner, de Ohio, afirmou que o bloqueio naval norte-americano era uma forma de forçar uma resolução para o fechamento do estreito de Ormuz. LEIA MAIS: Bloqueio em Ormuz: Trump ameaça destruir navios iranianos da mesma forma que ataca barcos no Caribe Forças Armadas dos EUA vão bloquear 'todo o tráfego marítimo' no Golfo de Omã e Mar Arábico, diz agência Bloqueio ao Estreito de Ormuz Editoria de Arte/g1 As consequências do bloqueio A estratégia de Trump, porém, pode ser uma faca de dois gumes. Enquanto a principal fonte de renda do governo iraniano é interrompida, por outro lado, com o bloqueio do pouco petróleo que ainda passava pelo Estreito de Ormuz, o preço da commodity pode voltar às alturas, o que pressiona ainda mais a inflação global e a norte-americana. Desde ontem, o preço do Brent — referência internacional — chegou a subir mais de 8%, ultrapassando os US$ 100 por barril. Para além do preço, alguns analistas também apontam que o bloqueio pode pressionar países com forte dependência do petróleo do Golfo, especialmente a China, a adotar uma postura mais ativa para influenciar o Irã. Principal compradora de petróleo da região, Pequim teria interesse direto na estabilização do fluxo energético. Por fim, o bloqueio também pode colocar em risco o frágil cessar-fogo de duas semanas estabelecido entre EUA e Irã. No domingo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz será considerada uma violação do cessar-fogo e será tratada de forma severa e decisiva. O regime iraniano chamou a ação dos EUA de "ilegal e um exemplo de pirataria". Embarcação no Estreito de Ormuz, ao largo da costa da província de Musandam, Omã, 12 de abril de 2026. Reuters *Com informações da Reuters.